quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Paralisar para avançar: por um outro modelo de educação!



 Por Giselly Gonçalves
Executiva Estadual da ANEL

Os Institutos Federais de Ensino Superior (IFES) estão em greve há mais de três meses e sofrem com a intransigência do governo Dilma que não senta para negociar com a categoria e nem apresenta propostas que respondam as reivindicações dos grevistas, pelo contrário, a greve da educação é negligenciada e secundarizada pela presidente e por Aloisio Mercandante, o ministro da educação.
Nesses mais de 100 dias de greve duas propostas foram lançadas, entretanto nenhuma das duas respondiam as pautas dos grevistas, e o sindicato que fala em nome dos professores em greve, o ANDES, e  que representa mais de 70% da categoria docente não aceitou a proposta e encaminhou para a base que o momento era de radicalizar e ir as ruas, mostrando que a greve é forte, continua e é legítima!
Assim, várias manifestações e ocupações de reitoria foram feitas neste último mês em todo o Brasil. E na UFMA  não está sendo diferente!!
No último dia 24, diversos estudantes de vários cursos juntamente com professores e servidores federais em greve, marcharam pelas ruas de São Luís em defesa da educação,  da saúde pública e exigindo respeito com o  funcionalismo público, mostrando para a população que lutar é preciso! Demonstrando que as Universidades estão paradas e mais de 30 categorias  pararam porque o governo não prioriza e nem governa para os trabalhadores.
Com palavras de ordem, tais como “Estudantes na rua, Dilma a culpa é sua!”; “Para barrar a precarização, greve geral, greve geral na educação!”; “Negocia Dilma”, entre outras os estudantes expuseram mais uma vez sua indignação  e vontade de lutar por seus direitos!
A ANEL está junto nessa luta em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade,  defendendo a Universidade e somando força com os trabalhadores por um outro modelo de educação que atenda as demandas da classe trabalhadora e não dos tubarões da privatização.
Por isso, chamamos a tod@s @s estudantes a somarem forças conosco e com @s professores e participar mais uma vez de uma atividade da greve que acontecerá hoje às 16 horas em frente à reitoria da UFMA, onde celebraremos o enterro simbólico da presidente Dilma e de Natalino Salgado e seus posicionamentos autoritários e inflexíveis em relação à negociação das pautas de reivindicação.
#NegociaJá!!


sábado, 4 de agosto de 2012

Por um mundo em que sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres.


Por Camila Castro
Executiva estadual da ANEL

No primeiro semestre deste ano as escadas do Centro de Ciências Humanas (CCH) foram objeto de uma intervenção muito criativa – seus degraus foram pintados com várias cores simbolizando um grande arco íris. E foi exatamente isso: em um dia estava tudo cinza e no outro surpreendentemente subíamos uma escada completamente colorida.
 Como era de se esperar muitos estudantes tiraram fotos e compartilharam nas redes sociais e como era de se esperar mais ainda, os LGBT’s* adoraram a intervenção. A verdade é que o arco-íris estava lá representando o que cada um quisesse que representasse. Não havia placas, assinaturas, descrição... nada. Era um arco-íris dando cor ao CCH que sempre recebeu as mais diversas intervenções em sua estrutura física.
Neste mês de agosto os estudantes da UFMA foram surpreendidos novamente. Destes, muitos por seus próprios olhos e outros pelas redes sociais: a escadaria do CCH foi pichada. Nos degraus coloridos foi escrita uma mensagem bíblica fazendo referência à aliança de Deus com os homens simbolizando o que seria o significado do arco-íris. Na legenda da autora da postagem no facebook dizia: “Arco Íris, simbolo da ALIANÇA DE DEUS com o homem... e não entre pessoas do mesmo sexo ! Abençoado seja a pessoa que teve coragem de escrever isso na escadaria da UFMA. TENHAMOS CORAGEM PARA PREGAR O EVANGELHO POR TODO O MUNDO não nos deixemos limitar e abalar com comentários (:”
Homofobia declarada. Além de revolta, acompanhamos muitas declarações de medo através do facebook. É preciso compreender que problema não se encontra em uma passagem bíblica ter sido escrita, mas na intencionalidade do feito. Com tantos muros brancos na ufma, a despeja se dá sobre o arco-íris que servia sim como símbolo da comunidade LGBT, mas podendo servir a todos os significados que se configuram a partir das próprias convicções das pessoas. Sem necessidade alguma de reafirmação de qualquer uma delas, a pichação incide sobre o trabalho difícil dos que se propuseram a pintar todos os degraus da escadaria e fortalece uma realidade que está colocada dentro e fora dos muros da universidade: intolerância à diversidade. A legenda e comentário da foto corroborando a mesma conclusão.
 Uma parte importante do processo de luta contra a homofobia é mostrar que ela existe. Para os LGBT’s a existência da homofobia não é novidade alguma, mas parte do cotidiano. No entanto as pessoas em geral tem dificuldade em identificar uma atitude homofóbica ou acham que homofobia se configura apenas quando há agressão física e morte, justamente porque no Brasil o ódio homofóbico mata centenas de pessoas por ano. Da mesma forma que é fácil ser contra o Bolsonaro, mas mais difícil perceber que muito se confunde liberdade de expressão com liberdade de opressão no nosso dia-a-dia.  
A ANEL nacionalmente encampa um sério combate ao machismo, racismo e homofobia. Não podemos admitir a reprodução destas ideologias opressoras dentro e fora da universidade que reforçam a inferiorização do outro a partir das diferenças, que são naturais e ricas! Temos acompanhado o total descaso dos governos com relação ao debate da diversidade sexual nas escolas e em relação a criminalização da homofobia. São governos comprometidos com os setores reacionários, conservadores e exploradores desta sociedade... E a pichação na escadaria do CCH é apenas ponta do iceberg da intolerância que conhecemos e vivenciamos nesta sociedade.
É preciso debater, construir espaços de reivindicação e intervenção cada vez mais frequentes. É preciso lutar sempre. É na luta que nos colocamos cada vez mais próximos dos objetivos que queremos alcançar. É preciso respeito e justamente por isso é preciso, cada vez mais, que pintemos escadas o máximo que pudermos. Pintemos a vida com o orgulho de sermos iguais na diferença, construindo no dia a dia “um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres”¹.
Abraço a tod@s.

*LGBT: Lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros.
¹ Rosa Luxemburgo.

terça-feira, 24 de julho de 2012

64° SBPC em São Luís: Ciência e Educação para quem?



Por Giselly Gonçalves
Executiva estadual da ANEL


A 64° Reunião Brasileira para o Progresso da Ciência- SBPC,  ocorre este ano em nosso Estado, com o tema: “Ciência, Cultura e Saberes tradicionais para enfrentar a pobreza”. Diante deste tema e da conjuntura atual do Maranhão e do Brasil – vale destacar que o Brasil é 84° no ranking de desenvolvimento humano e o Maranhão o Estado mais miserável da nação - nos perguntamos para quem serve esta ciência e esta produção de saber? De fato a educação e a produção de saber tem como meta erradicar a pobreza?
Entedemos que não! A educação, bem como a produção de conhecimento científico sofrem com os impactos da mercadorização e  privatização, seguindo os ditames impostos pelo FMI e Banco Mundial para as nações periféricas, se distanciando cada vez mais da classe trabalahora e servindo para manutenção da ordem vigente.
 Não é a toa que não se tem nenhum debate sobre os rumos da Educação Pública, da Universidade e da Produção de conhecimento e para quem este se destina na programação oficial do evento.  Mesmo estando diante de uma greve da Educação pública – a maior e mais forte dos últimos dez anos, que já dura mais de dois meses, consequência de uma expansão sem qualidade proposta pelo REUNI 5 anos atrás.
O REUNI, este projeto que assola os muros da Universidade, tem como subproduto o inchaço das salas de aula, precarização do ensino, precarização do trabalho docente, filas gigantescas nos R.U’S, fragmentação no ensino, pesquisa e extensão, número de bolsas insuficiente para atender ao corpo discente, entre mais agravantes, é resultado de uma pequena expansão do ensino público superior proposta pelo governo, acompanhada de mudanças significativas no caráter das Universidades, buscando transformá-las em fábricas de mão-de-obra de baixa especialização para atender as novas demandas do mercado, ou seja , para este modelo de politica educacional, não importa a qualidade dos profissionais e sim a necessidade deste na lógica mercadológica.
Defendemos, portanto,  uma expansão com qualidade, que só será possivel com o investimento de 10% do PIB já para a educação pública e dizemos não ao PNE do governo que não passa de uma continuidade do REUNI!   Defendemos que a ciência produzida na academia seja voltada para fora dela, para as necessidades da classe trabalhadora!
Por isso que durante a SBPC estaremos trazendo debates que extrapolam os limites da universidade, para dialogarmos com o público presente no evento, incentivando a união entre o saber acadêmico e saber popular, para construirmos e defendermos uma universidade pública, gratuita e de qualidade e que não tenha sua função social voltada para o mercado e sim para a classe trabalhadora!
Estamos com uma tenda montada, em parceria com diversos movimentos sociais, trazendo importantissimos debates para o seio academico. Acompanhe a programação abaixo:


quinta-feira, 5 de julho de 2012

3J: Um dia de organização e luta dos estudante em defesa da educação



                                                                        Por Ana Raíssa Mendes,
                                                                        Executiva Estadual da Anel


     O 3-J, que ficou conhecido como o Dia Nacional de Mobilização dos Estudantes em Greve, foi uma atividade nacional organizada pelo Comando Nacional de Greve Estudantil como  o objetivo de  elucidar e fortalecer a exigência da negociação entre o ministro da educação , Aloísio Mercadante, e os professores e técnicos grevistas das instituições federais de ensino superior do Brasil, por meio de debates, protestos, assembleias estudantis, etc. Por  todo o país, os estudantes responderam ao chamado do Comando Nacional de Greve Estudantil e organizaram manifestações nas universidades, unificando a luta com os servidores e professores em greve.

     Na UFMA, a ANEL – MA e outros grupos fomentaram uma tarde de atividades, que contou com a presença de estudantes e professores da APRUMA e  se iniciou com a apresentação do filme "Greve da Meia Passagem" (que retrata a revolta da meia passagem em São Luís no ano de 1979). A intenção foi mostrar a força do setor estudantil em décadas passadas, que por meio de protestos nas ruas não se calaram diante de uma forte repressão do Estado, que suprimia o direito à meia passagem dos estudantes maranhenses.
     Em seguida, foi exibido um vídeo onde se mostrou  o posicionamento do DCE UFMA frente à greve dos professores, a entidade se mostrou “favorável” a greve e defendeu a não suspensão do calendário de atividades da UFMA, e exaltou que houveram avanços na universidade devido ao Reuni.   Demonstrou estar falando em nome dos estudantes da UFMA. Porém, não houve consulta nenhuma com nós estudantes (por meio de assembleia ou qualquer outro espaço), em momento algum nós fomos ouvidos pra podermos expressar nossas opiniões em relação à greve da educação e ao projeto Reuni. Os estudantes presentes no auditório ao término da exibição do vídeo  demonstraram indignação diante da atitude do DCE, tornando a reafirmar que esta entidade não nos representa.

     Sigamos na luta e exigência que Dilma e Mercadante negociem com os grevistas e respeitem à educação do país!

domingo, 1 de julho de 2012

A não suspensão do calendário acadêmico da UFMA e o papel do DCE!


Por Giselly Gonçalves
Executiva Estadual da Anel

Na última quinta-feira (28/06) tivemos a realização do Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão da UFMA (CONSEPE). Dentre as pautas a serem discutidas estava a suspensão do calendário acadêmico da universidade devido ao processo da greve nacional da educação superior que segue em curso.
Depois de apresentada a proposta a ser discutida por representantes do sindicato dos professores entrou em discussão pelos membros do Conselho e outros pessoas com direito a fala. Para início de conversa a maioria dos conselheiros votaram pela não suspensão do calendário acadêmico e os dois semestres de 2012 seguem “normal”.

O nefasto papel que cumpre o DCE da UFMA na greve

No dia 11 de junho o DCE da UFMA lançou uma nota de apoio à greve dos professores da universidade onde falam “Compreendemos que a educação pública deve ser valorizada e todos os atores do processo, igualmente. É possível observar o crescimento das Universidades brasileiras, porém essa expansão tem trazido ônus para a educação e é por isso que temos hoje salas de aulas lotadas, sem estruturas e professores sem condições de exercer sua profissão”. O ensaio do retorno à luta da maior entidade dos estudantes do Maranhão que tem em torno de 30 mil estudantes em sua base parecia ser um bom sinal para o processo de mobilização em torno da greve. Mas logo percebemos que nada de concreto viria adiante.
Na reunião do CONSEPE Diego Sâmide (atual Coordenador Geral e estudante do Campus de Imperatriz) e Lilian Brito (também Coordenadora da entidade e estudante de Turismo do Campus São Luís) foram defender abertamente seus interesses e “apoiar” a greve.
Sabe-se que “das palavras aos atos” existe um distanciamento muito grande, a independência política é uma delas! Lançar uma nota de apoio é muito fácil, construir na base dos estudantes espaços grevistas é difícil. É isso que a gestão “Da unidade vai nascer a novidade” não vai fazer porque está do lado da reitoria, do lado de Mercadante e Dilma que não negocia com os professores e desmonta a educação nacionalmente.
Falaram em nome dos estudantes da UFMA dizendo que “essa é a opinião da maioria dos estudantes da universidade e estavam ali para cumprirem seu papel”. Os estudantes se perguntam até hoje qual Assembleia Geral foi chamada para discutir uma posição dos estudantes da UFMA frente à greve?! Que espaços a entidade proporcionou para acumularmos uma decisão ou opiniões sobre uma greve que cresce a cada dia nas universidades brasileiras?!!
Não sabemos! Mas falaram em nome de todos os estudantes da UFMA.
Agora, precisarão arcar com as consequências que já se acumulam durante todos esses anos que passaram na entidade. Precisarão dizer aos estudantes que ficarão prejudicados caso sua situação não seja entendida por quem não aderiu à greve. Precisarão resolver diversos problemas e consequências do seu ato de não apoiar a suspensão do calendário, como por exemplo, como o segundo semestre vai iniciar em agosto se o primeiro ainda não terminou??!!
Muitas perguntas e uma só resposta: não explicarão, pois não estão do lado dos estudantes! O DCE da UFMA perdeu sua autonomia política e financeira quando defendeu a implementação do Reuni nas universidades, a construção do restaurante privado, a situação precária das residências universitárias no centro e a casa do campus nunca concluída. Hoje pagamos e arcamos com o ônus, o qual descrevem perfeitamente, só esqueceram de colocar mais “algumas cerejas” num bolo onde as migalhas ficou pra universidade e os grandes pedaços para a reitoria e para os que hoje se beneficiam nos mais diversos cantos.

UNE e DCE da UFMA do lado do governo!

As atitudes dos membros do DCE refletem a política da entidade que defendem nacionalmente, apesar de não falar em nome dos estudantes da UFMA há muito tempo. A União Nacional dos Estudantes (UNE) no dia 26 de junho realizou um ato nada representativo frente ao processo de greve das federais e em uma reunião com o Ministro da Educação, Aluísio Mercadante, aprovaram a implementação de 10% do PIB para educação somente para 2020 junto com o Plano Nacional de Educação (PNE).
Não devemos acreditar em mais esse acordo de gabinete da UNE com o governo. Não devemos considerar esse fato uma conquista. Primeiro, se as universidades e institutos federais estão em greve é porque precisam de investimentos reais que o Reuni não trouxe, então precisariam de investimento o quanto antes e não para daqui a 10 anos. Segundo, a UNE não fala e não negocia em nome dos estudantes grevistas, desrespeita os fóruns legítimos do movimento estudantil nacional. Quem fala em nome dos estudantes é o Comando Nacional de Greve Estudantil (CNGE) que definiu em uma reunião muito vitoriosa no dia 18 de junho na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O DCE/UFMA esteve presente em Brasília e tem legitimado esta entidade em todas as suas atividades. Eles escolheram o lado do governo e de longe expressaram a luta em curso no país em defesa da educação pública. 
A UNE é coautora do projeto do Reuni e deve responder também por esse processo de desmonte, por qual passa a educação no país. Se hoje estamos em greve temos dois culpados: o governo que implementou o projeto de sucateamento e expandiu as universidades públicas federais sem o investimento necessário; e a UNE, que construiu e defendeu esse projeto e hoje apoia PNE do governo sem nenhuma discussão com os estudantes sobre o caráter desse plano e sem nenhuma representatividade, substituindo o Comando Nacional de Greve Estudantil que está funcionando em Brasília, desde a última semana.

Construir o Dia Nacional de Mobilização e Lutas: 3J!

O cenário da situação é bem claro! Os estudantes livres do Brasil têm dois caminhos para tratar da greve: está do lado da UNE e suas atividades esvaziadas que não representam as fortes lutas no país ou está do lado do Comando Nacional de Greve Estudantil que se fortalece a cada dia.
Depois de uma semana de ocupações nas universidades, o dia 3 de julho (3J) será o dia de atos, panfletagens, debates e atividades nacionais. Nós da Anel já começamos a construir junto com os setores em greve desta universidade esse dia para ser um grande dia na UFMA. Queremos que esse dia seja dos estudantes encherem a UFMA de cartazes e faixas sobre a greve e debater o que o Reuni trouxe pra universidade. Sendo assim, gostaríamos de convidar todos a construírem atividades para esse dia que expressem as lutas nacionais, mas que também expressem a posição de todos em relação à greve nacional que segue forte.
Mobilize-se, traga seu pincel, sua tinta, seu cartaz, sem tambor, sua lata, sua baqueta, seu apito e venha fortalecer a greve nacional das instituições de ensino superior e não se cale! Venha lutar por “Expansão com 10% do PIB pra Educação Pública Já!” Diga em todas cores “Não ao PNE do Governo!” Nem UNE nem DCE/UFMA falam em nome dos estudantes grevistas! Fortalecer o Comando Nacional de Greve Estudantil!

Saiba mais sobre a greve das instituições federais de ensino:
ANDES - Sindicato Nacional
Comando Nacional de Greve - Facebook
As raízes da greve
Site Nacional da Anel


terça-feira, 12 de junho de 2012

A ampliação das vagas para os cursos de Medicina das universidades públicas federais e a precarização da profissão médica


                                                                      Por Gabriel Felipe, da Anel Maranhão                                                                                             

Cursar 6 anos (geralmente) do Curso de Medicina das universidades públicas federais pode tornar-se um desafio ainda maior na vida de um jovem.
Recentemente o Ministério da Educação (MEC) anunciou a criação de 1.615 vagas nos cursos de Medicina do país priorizando as regiões do país onde o déficit de profissionais médicos é maior, como é o caso do Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Para a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) está sendo proposta a ampliação das vagas para o Campus do Bacanga (40) e abrir nos campi de Imperatriz e Pinheiro, 80 e 40 vagas, respectivamente.
O que isso implica na formação do profissional médico?


Os 5 anos do Reuni e a prova concreta da falta de investimento


Em 2007 o governo Lula anunciou a aprovação do Programa de Expansão e Reestruturação das Universidades Públicas Federais (Reuni) e com ele a abertura de mais vagas nas universidades, mais financiamentos para essa expansão e a dita “democratização” do acesso ao ensino superior. Depois de 5 anos podemos tirar várias conclusões da implementação desse projeto e dar razão ao conjunto dos estudantes que ocuparam por todo o país as reitorias das universidades brasileiras e que já apontavam que algo muito ruim viria afetar o ensino superior público.
O “canto da sereia” adentrou as portas das universidades e o programa do governo Lula foi aprovado passando por cima de tudo e de todos para implementar uma política que já havia sido engavetada no governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC) com a presença de guardas, policiais e de todas as maneiras truculentas utilizadas para reprimir os estudantes.
Hoje o problema é sentido na pele e percebemos que de maneira silenciosa o ensino, a pesquisa e a extensão estão sendo destruídos e com isso o reconhecimento da universidade como um espaço de construção do conhecimento e produção da ciência está cada vez mais distante. Os problemas que mais percebemos hoje nas universidades: falta de professores, aumento do quadro de professores substitutos, filas de restaurantes gigantescas, salas de aulas lotadas, falta de laboratórios e espaços para a realização de aulas práticas, transporte deficiente, falta de livros nas bibliotecas, falta de espaço físico, aumento da relação aluno-professor.
Em meio a todo esse cenário de caos por qual passa a universidade pública brasileira é que a situação agrava-se ainda mais. Hoje, professores de 51 universidades encontram-se em greve lutando contra a precarização da carreira docente e em defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade.


O projeto do MEC e a situação do Curso de Medicina da UFMA    

    
A notícia dessa ampliação de vagas no Curso de Medicina da UFMA (160 novas vagas) não foi recebida com muito agrado por estudantes, professores, técnicos e pela comunidade acadêmica. Os estudantes de Medicina já sabem desde os primeiros períodos o sufoco das aulas práticas das disciplinas do ciclo básico e como é angustiante tentar entender algo que não consegue devido a falta de vários materiais e reagentes. Isso também é comum aos estudantes dos outros cursos da área da saúde que precisam utilizar o Centro de Ciências Biológicas e da Saúde.
Quando chega-se à clínica onde precisa-se fazer um acompanhamento dos pacientes ou até mesmo fazer todos os procedimentos necessários tem-se muitas dificuldades: muitos estudantes para participar das consultas com os pacientes (gerando em muitos casos constrangimentos), limitação estrutural e física, poucos dias presentes nos setores (endocrinologia, pediatria, dermatologia, etc), muitos estudantes ao redor do leito. Tudo isso já enfrenta-se hoje!
Os problemas do quadro docente dos departamentos do curso de Medicina e a situação da formação dos estudantes tende-se ao agravamento com essa expansão irresponsável revelando uma total falta de percepção sobre a formação do profissional médico.
Nós da Anel temos a opinião de que a história nos mostrou como o governo conduziu e conduzirá sua política educacional: com muito irresponsabilidade! Esse fato por qual passa a Medicina da UFMA e de todo o país não é isolado e nem deixa de ser continuação do Reuni. Queremos que o governo e a reitoria saibam que nós queremos que o problema da falta de médicos seja sanada e que mais pessoas possam ter acesso aos serviços de saúde. O que não vamos aceitar de maneira alguma é a formação dos profissionais da medicina em péssimas condições e que mais tarde os pacientes tenham quer arcar com as consequências. Exigimos que os recursos sejam destinados desde já e que sejam resolvidos todos os problemas que envolvem o curso, principalmente no que concerne ao Hospital Universitário que não atende mais a demanda dos estudantes e profissionais. Somente um financiamento real à educação brasileira sem cortes orçamentários anuais e aplicação de 10% do PIB pra Educação avançaremos na construção de um modelo educacional que atenda as demandas da sociedade.

Os estudantes de Medicina da UFMA podem contar com todo o nosso apoio para enfrentarmos e resolvermos juntos com muita mobilização mais um problema que envolve a saúde e à educação.

Expansão com 10% do PIB pra Educação!
Contra a precarização da formação do profissional médico!
Em defesa do ensino público gratuito e de qualidade!
Contra a implementação da EBSERH!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Do Luto a Luta: Por que os Lírios não nascem da Lei?

Em maio de 68 a juventude francesa foi as ruas exigir um novo tipo de ensino, um novo mundo, contaminando todos com o sentimento de as mudanças eram possíveis e que elas seriam conquistadas com muita luta. No Brasil vivíamos um governo de ditadura militar e movimento estudantil foi vanguarda na luta contra os desmando dos generais, indo às ruas e enfrentando os militares por liberdade.
Foram os mesmo ventos daquele maio de 68 que se instalaram no ultimo mês de maio, nos corredores do curso de Direito da UFMA, pelo menos no que diz respeito à resistência e ao firme sentimento de que mudanças são possíveis. Usando como barricadas a organização estudantil e a poesia, o Coletivo Os Lírios Não Nascem da Lei, ousou subverter a ordem (im) posta, há anos, pelos generais que a mão de ferro comandavam o curso.
Os estudantes do curso de Direito foram as ruas do campus denunciar as irregularidades do curso que está imerso na improbidade administrativa,  na anti-democracia e no assédio moral aos que contestavam a condução do curso. O Coletivo ajudou a construir as Assembléias estudantis que deliberam pelo Dia de Luto do Curso de Direito UFMA, uma dia para lamentar as condições em que se encontrava o curso e exigir medidas da Reitoria e dos órgãos competentes (DPU, MPF, CGU) para apurarem as denúncias. Um luto que representou o ultimo minuto de silêncio dos estudantes do curso, que mostraram disposição para lutar por um novo curso de Direito.
Os Lirios, como são mais conhecidos no curso, nasceu numa época em que era preciso resistir. Sua trajetória é marcada pelas palavras reorganização e resistência. Era preciso organizar os estudantes a se contraporem aos problemas que ocorriam dentro e fora das salas de aula do curso: processos seletivos de professores irregulares, denúncias de racismo e discriminação dentro das turmas, perseguição a estudantes que se contrapunham aos ditames dos professores do curso, etc. E era preciso resistir a todas as formas que a Administração do Curso usava para calar e desmobilizar os estudantes e também a apatia da então gestão do Centro Acadêmico.
Assim, eles ousaram poesia, onde apenas havia silêncio. Eles ousaram lutar, onde apenas havia medo. Com claras propostas de um novo curso de Direito, que reivindica uma gestão baseada na transparência e na democracia, com a ampla participação estudantil; que reivindica também um novo ensino, para um novo direito, mais próximo dos movimentos sociais e dos trabalhadores e ousa reivindicar poesia, em meio aos frios códigos que carregam as leis, como alternativa a distância que muitas vezes o Direito têm da sociedade, do sentimento, do real, o Lírios se candidata as eleições da Diretoria do Centro Acadêmico I de Maio.
Os Lírios ousaram colorir os cinzentos corredores do curso de Direito da UFMA de verde, da cor da esperança! Por tudo isso, nós da ANEL-MA apoiamos o Coletivo os Lírios não Nascem da Lei com quem já estamos construindo as lutas dentro e fora da Universidade, como a luta em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade, com investimento de 10% do PIB na Educação Pública, luta contra a burocratização e aparelhamento do DCE-UFMA pela reitoria e a oligarquia Sarney, na luta em defesa do transporte público e de qualidade, a luta em defesa das comunidades quilombolas tradicionais pela imediata demarcação de suas terras e efetivação de seus direitos.
É nesse solo fértil que estão sendo plantadas as sementes de luta que germinarão com cada vez mais estudantes juntos. Nos dias 11 e 12 de junho acontecerão as eleições do CAIM e este será mais um espaço de reafirmação do compromisso de luta. A ANEL reafirma seu apoio ao Os Lírios não nascem da Lei nessas eleições e também nas lutas vindouras, pois como dize do maio de 68: “Os que se deixaram levar pelo entusiasmo daquele ano sentiam que, enquanto o mundo morria, outro estava nascendo.”
O novo pede passagem!