domingo, 2 de novembro de 2014

Atividade no Quilombo do Charco "Quatro anos da morte de Flaviano"

Por Inaiara Brito, da Executiva Estadual da ANEL


“Quilombo, Quilombo
  Não vive cansado
 É melhor morrer na luta
 Do que ser escravizado"




Neste dia 30 de outubro a ANEL (Assembleia Nacional de Estudantes – Livre) juntamente com entidades do Movimento Negro e Popular, como o Quilombo Urbano e Quilombo Raça e Classe, filiados a Central Sindical e Popular - CSP Conlutas participaram do ato organizado pelo MOQUIBOM (Movimento Quilombola do Maranhão) em memória aos quatro anos de assassinato do Quilombola Flaviano.
Flaviano, pai de família, lavrador pobre e negro do Quilombo do Charco que fica localizado próximo ao município de São João Batista, há 280 quilômetros da capital São Luís/Ma, foi covardemente assassinado a mando de dois fazendeiros da região, Manuel Gentil e Flávio Gomes. Quatro anos após sua morte mesmo com a justiça sabendo o nome dos assassinos, nada foi feito para puni-los.
O estado do Maranhão lidera o ranking de conflitos agrários no Brasil, com 251 casos de conflitos de terra envolvendo 64.394 pessoas, sendo que nos últimos 27 anos foram assassinados 132 camponeses, com nenhum mandante condenado.
Tantos conflitos no campo são resultado de anos de exploração de latifundiários. Estes detentores da terra, meios de produção e capital tem patrocinado o avanço do agronegócio e arrasado o direito a terra e a vida dos povos tradicionais que historicamente vivem nas terras maranhenses. Esses povos lutam todos os dias para ter o direito á terra e políticas públicas eficientes, contra todos os desmandos dos coronéis do agronegócio que a qualquer custo querem expulsar camponeses, quilombolas, indígenas, ribeirinhos, quebradeiras de cocos das terras que são suas por direito.

 O INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) realiza um trabalho insignificante, sem nenhum comprometimento nem responsabilidade nas titulações de terras quilombolas. Em 2012, o governo federal desapropriou apenas 12.800 hectares de terras no Maranhão para fins de Reforma Agrária, o que representa uma redução de quase 75% em relação ao ano anterior; titulou apenas um território quilombola e homologou somente sete terras indígenas em todo o Brasil.
O compromisso do governo tem sido com o agronegócio e com os latifundiários enquanto as lideranças das comunidades quilombolas são assassinadas e comunidades inteiras veem seu modo de vida e cultura soterradas pelo agronegócio. Os mandantes desses assassinatos ficam na maioria das vezes impunes.
O ato realizado neste dia 30 de outubro, em frente ao Fórum de São João Batista-MA, foi uma forma de denunciar todas essas atrocidades mostrando o quanto a justiça é falha e não está a serviço dos trabalhadores, mas sim dos senhores do agronegócio. O ato também foi uma forma de mostrar que não calarão e nem abafarão a luta quilombola. O companheiro Flaviano é um exemplo de luta pelo direito dos quilombolas. Sua morte não será em vão. Os quilombolas continuam na luta e ela só aumenta...

A ANEL apoia a luta dos quilombolas e por isso nos colocamos ombro a ombro com os companheiros do MOQUIBOM para denunciar as atrocidades promovidas por latifundiários contra o povo quilombola. Nossa luta é uma só!
Pela punição dos assassinos de Flaviano!
Pela titulação das terras quilombolas!
Território livre, já!

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

IFMA: O AUTORITARISMO QUE CASTRA A AUTONOMIA E REAVIVA O CONSERVADORISMO DEMAGÓGICO NA INSTITUIÇÃO QUE “FORMA OS MELHORES PROFISSIONAIS DO MARANHÃO”

Por Inaiara Brito, do CA de Ciências Agrárias e da Executiva Estadual da ANEL

Que as normas que regem o Instituto Federal do Maranhão, são herança do período em que seus campi ainda eram Escolas Agrotécnicas ou Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFET) não é algo que assuste. É de se compreender que o processo de transição dessas instituições para Institutos Federais seria algo que acorreria de forma lenta e gradual.
Esse processo teve início a partir da Lei Nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008, daí em diante esses antigos centros de ensino seriam denominados Campi do IFMA. Passados seis anos se vê que esses campi ainda encontram-se mergulhados em um imenso atraso político e educacional. Mesmo com algumas poucas mudanças estruturais, como ampliação e reforma dos campi, aumento do número de cursos (médio, subsequente, graduação e pós-graduação), e algumas modificações democráticas na gestão dos campi, ainda sim não passa despercebido o quanto esses campi deixam muito a desejar em se tratando do respeito aos direitos de seus estudantes.
O maior exemplo de ataque aos direitos dos estudantes é o Regimento Disciplinar Discente do Instituto. Um regimento que não acompanha o movimento de renovação que deveria acontecer no IFMA. O regimento já se mostra autoritário na forma como é construído, pois os estudantes e professores participam de forma parcial dessa construção, e não tem suas propostas acatadas pelo Conselho que aprova o novo Regimento.
O ano de 2013 foi um período de construção de um novo regimento, cada Campus deveria informar aos estudantes e professores que estes teriam de enviar suas propostas de modificação nas normas do regimento até determinado período. O IFMA Campus Maracanã, segundo informações repassadas pela Diretoria Geral, foi o campus que mais contribuiu com propostas. No curso de Ciências Agrárias, houveram alunos que se reuniram para discutir o Regimento antigo e elaborar suas propostas para o novo Regimento. Depois de sistematizadas as propostas as encaminhamos ao Dae (Departamento de Assistência ao educando) e este encaminhou o documento á Direção Geral que por fim, enviaria a reitoria.
Em nossas propostas fizemos observações principalmente no que diz respeito aos itens que tratam das vestimentas dos alunos e a liberdade de expressão. Por exemplo, nos posicionamos contra o fato de que os alunos do Curso Técnico devessem permanecer uniformizados durante todo o período que estivessem na escola, fomos também contra a proibição de namoro entre estudantes nos espaços da escola... Dentre uma série de observações.
Enquanto estudantes, fizemos nossa parte. Porém, nossas propostas mesmo sendo enviadas aos órgãos superiores que as sistematizariam junto com a de estudantes e professores vindos de outros campi, não foram acatadas por estes. Ou seja, um processo democrático de construção de propostas, em última instância se mostrou absolutamente ditatorial. E o resultado disso foi à aprovação de um novo Regimento ainda mais retrógrado que o anterior.
Dentre as normas mais retrógradas mais uma vez destacam-se as destinadas ao controle das vestimentas dos estudantes. Se antes os alunos do Curso Superior poderiam usar as roupas que bem entendessem, em qualquer espaço do Instituto, agora fica restrito o uso de bermudas, shorts, minissaias e miniblusas.
Neste ano de 2014, o Centro Acadêmico de Ciências Agrárias solicitou uma reunião com a Direção geral do Campus Maracanã para dentre outras coisas, tratar do novo Regimento. A Direção Geral nos disse que nada poderia fazer em relação ao Regimento e que tinha a obrigação de acatar as normas do Regimento, pois este foi aprovado por órgãos superiores. Neste segundo semestre pedimos uma reunião com o Departamento de Assistência ao Educando (DAE) para tratar das normas do Regimento que atacam os direitos dos estudantes, porém o departamento nos disse que nada poderia fazer...
Reconhecemos que tanto a Direção Geral como o Dae não podem fazer grande coisa em relação ao Regimento, mais poderiam pelo menos ser mais flexíveis na forma como aplicam essas normas dentro do Campus Maracanã. São vários os casos de alunos do Curso Técnico que são impedidos de almoçar no Refeitório do Campus porque “estão de chinelo e não de tênis”.
Recentemente dois estudantes do Curso de Ciências Agrárias foram barrados na porta do refeitório por um servidor. O motivo? Uma estudante estava de short e o outro de bermuda. Ambos foram impedidos de almoçar, mesmo depois de enfrentar uma fila quilométrica. Neste momento eu também estava na fila do refeitório e me aproximei para saber o que estava acontecendo, o servidor disse que os dois estudantes estavam “vestidos de forma indevida” e que almoçariam somente depois que todo mundo almoçasse, debatemos por mais uns instantes sobre a situação pedi ao servidor que deixasse os dois entrarem e que depois o CA conversaria com o DAE. Como vi que ele não acataria meu pedido, resolvemos entrar no refeitório para almoçar.
No dia seguinte a este fato, fui notificada de que o DAE entrou com um processo administrativo contra mim, por  “dirigir-se a seus pares, servidores públicos, terceiros contratados ou não e/ou visitantes de maneira desrespeitosa” onde como medida disciplinar levaria suspensão assistida por uma semana (isso mesmo, suspensão para um aluno de curso superior!) e teria cancelada minha participação em uma viagem para um congresso, que, diga-se de passagem, foi organizada pelo CA, onde participei ativamente da organização.
Esta situação foi abordada para exemplificar o quanto ainda estamos anos-luz de sermos uma Instituição democrática, o constrangimento pelo qual os dois estudantes passaram me impunha a obrigação de me posicionar diante da situação, enquanto estudante e membro de uma entidade representativa dos estudantes. O processo movido contra mim também se deu de forma totalmente autoritária uma vez que não me foi garantido o direito a defesa e ao contraditório. Diante disso, dizemos que o Chefe de Departamento do DAE, Prof. Filomeno Barros não tem condições pedagógicas de ocupar tal cargo, pois em suas ações mostra-se um perfeito demagogo-ditador da pior espécie tendo como conivente de suas ações a pseudo-pedagoga Rosilene Lima.
Este Regimento Disciplinar NÃO REPRESENTA OS ESTUDANTES, e ao invés de ser educativo mostra-se como um conjunto de normas punitivas e conservadoras impostas goela abaixo a nós pelo Conselho Superior.
Neste sentido, a ANEL faz um convite aos estudantes do IFMA, do médio ao superior sem distinções, pois em última instância todos somos estudantes. Convidamos a não abaixarem a cabeça diante de tais ataques, que não deixem que essas normas sejam superiores a sua vontade de ser e se expressar. Para aqueles que são contra este Regimento que mais parece da época da Ditadura, vamos nos organizar para derrubá-lo, mostrar que a juventude do IFMA tem voz e que lutará pelos seus direitos!
Afinal, porque os estudantes do IFMA não podem se manifestar? Por que os estudantes não são ouvidos? Será que esta realmente é a Instituição que “forma os melhores”? Mais que isso, melhores em que? Em se contrapor a esses valores autoritários e conservadores ou em se adequar as normas do mercado e da sociedade?

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Nota de repúdio às entidades fabricantes de carteirinhas de São Luis


Na última sexta-feira, dia 15 de agosto as ruas da capital maranhense foram tomadas por centenas de estudantes num ato show organizado pelo MEI (Movimento Estudantil Independente)/CES (Central Estudantil), movimento estes que de independente não tem nada. É notório o atrelamento dessas e de outras entidades (AMESU, CES, UBES, UNE, AMES, etc) que só servem para fabricar carteirinhas de meia-passagem/meia-entrada e promover festas.

O ato ocorreu em comemoração ao dia do estudante (11 de agosto), mas o que poderia ser um ato para denunciar as condições precárias da educação no município e no Estado, se tornou uma espécie de carnaval fora de época com direito a trio elétrico para garantir a micareta. Não podemos duvidar da intrínseca relação que essas entidades têm com a Prefeitura Municipal de São Luis e a SMTT (Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte).

O Movimento Estudantil Independente (MEI), em seu site, diz que a entidade é uma “organização sem fins lucrativos que representa o interesse dos estudantes e que tem fins cívicos, culturais, educacionais, desportivos e sociais. Fundada em 2004, tem como atividade a tiragem de carteiras de estudante, com benefício de Meia Passagem em transporte coletivo e meia entrada em eventos entre outras ...” Na prática essa entidade tem com único fim os grandes lucros gerados com a emissão dessas carteiras. Usam o direito conquistado historicamente pelos estudantes na grande greve de 1979 como moeda de troca para garantir seus benefícios individuais.  Se o MEI é tão independente assim, porque não convocou os estudantes para lutar contra o aumento de R$ 0,30 centavos na passagem em São Luis? Se a entidade acima representa o interesse dos estudantes, porque então nunca se pronunciou quando o sistema de recarga fica horas e horas (e as vezes até dias) sem funcionar?  A resposta é única: servem todas como centros de eventos/festas e fábricas de identificação estudantil.

 No final do ato show, o representante do MEI, Vitor, concedeu uma entrevista bastante conivente com a prefeitura, atacando a greve dos professores da educação básica da cidade. Não nos surpreende esse tipo de discurso dessas entidades, sabemos muito bem que sem independência financeira, não há independência política. Se são financiados pelo governo, é claro que não irão se posicionar contra a política de Edivaldo Holanda Junior (PTC), prefeito de São Luis.


Mais uma vez viemos em público denunciar e repudiar veementemente essas entidades que de nada serve para organizar a luta dos estudantes e defender o interesse desse segmento da sociedade. Reafirmamos ainda, nossa solidariedade e apoio às professoras e professores que permanecem em greve por mais de 80 dias e em ocupação da prefeitura por quase 120 horas. 

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Professores ocupam a prefeitura de São Luís

Por Ana Raíssa e Micael Carvalho,
da executiva estadual da ANEL

Nesta quarta-feira, por volta das 17:00, os professores da rede municipal de ensino de São Luís, que estão em greve desde maio, ocuparam a sede da prefeitura, recurso utilizado após diversas negativas de Edivaldo Holanda Jr (e a SEMED) às reivindicações  de melhorias nas condições de trabalho dos docentes, reajuste salarial, reformas nas escolas e outras . Os docentes garantem que só desocupam o prédio da prefeitura quando o prefeito se dispor à negociação.



Após a Plenária Geral ocorrida hoje à tarde, os professores decidiram tomar uma ação mais radicalizada no sentido de pressionar a prefeitura, visto que esta além de não atender as pautas dos professores, ainda criminaliza o movimento de resistência por meio de notas e propagandas falaciosas que objetivam enfraquecer a greve e colocar o movimento  grevista contra alunos, pais e sociedade civil, também assedia as/os professores pressionando-as/os para voltarem para sala de aula nas mesmas condições precárias. Além disso, houve a tentativa de se rebaixar a exigência de 20% de ajuste salarial, com o indicativo de 3% apenas. Lembrando que Holandinha é o prefeito que recebe o maior salários entre os prefeitos do Brasil e lamentavelmente sujeita os professores à essa difícil situação.

É importante lembrar que a educação pública municipal em São Luís está pedindo socorro. Além da não valorização dos professores e demais profissionais (muitos inclusive são terceirizados), encontramos escolas cada vez mais precarizadas e sem a mínima estrutura para um bom funcionamento. Ou seja, as escolas e anexos não estão condizentes com as propagandas feitas pela prefeitura.


Observa-se a total intransigência da administração municipal de São Luís, que não da a devida importância que a luta dos professores merece. Categoria que representa a educação básica e que apesar dos ataques, tem se fortalecido numa importante greve, com atividades de mobilização, assembleias, reuniões e desta forma tem conquistado apoio popular.
Professores e apoiadores permanecem nas dependências da prefeitura e mantém vigília também do lado de fora


Até o momento, a prefeitura ainda não se pronunciou no sentido de dar respostas ao grupo que neste momento ocupa a prefeitura. Porém, guardas municipais também se fazem presentes no prédio, no sentido de reprimir o movimento.

Desta forma, viemos prestar total solidariedade aos professores da educação básica e convidar todas/os os/as estudantes, trabalhadores, movimentos sociais e outros a fortalecer esta importante luta, que tem se caracterizado pela resistência e força da categoria. Todas/os à prefeitura! Vamos fortalecer o acampamento!




domingo, 8 de junho de 2014

Nenhum centavo a mais! Contra o aumento da tarifa em São Luís.

Por Eduardo Sousa e Micael Carvalho,

da Executiva Estadual ANEL – MA

Mais uma vez estamos vendo que há em São Luís um grupo muito seleto de seres. Intocáveis em seus bolsos e privilegiados pelo poder público como nenhum trabalhador o é.  Mais uma vez a prefeitura mostra para quem ela governa. Mais uma vez quem paga é o usuário. Usuário de um transporte público deplorável e da mais alta covardia, pois submete uma população, que paga caro, a uma situação tão penosa. Sob um pretexto tão ridículo quanto o próprio sistema de transporte (o de estarem operando no “vermelho”) os tais seres recorrem aos seus “padrinhos” que comandam a máquina municipal e pronto, eis mais um aumento para pagarmos, nós trabalhadores e estudantes.




A passagem de ônibus de 2,10 que já era incompatível com a qualidade oferecida, se torna ainda mais abusiva com o aumento para 2,40 e a retirada da domingueira (tarifa reduzida no domingo) concedida pela prefeitura municipal de São Luís, deixando claro que serve aos interesses dos empresários, e que diante da disputa trabalhador vs empresário sempre se posicionará contra os trabalhadores, usuários do transporte coletivo. A desculpa de estarem tendo prejuízo financeiro sem o aumento justifica todos os abusos cometidos por esse setor. Usam o mesmo discurso de sempre para aumentar a tarifa, o “prejuízo” que estão tendo com os gastos no setor. Porém, nunca os empresários dispõe transparência e se submetem a uma auditoria e abertura de suas contas, como assim deve(devia) ser. 



O sucateamento dos ônibus, frota insuficiente, exploração dos empregados são exemplos desses abusos. Estes sim, são completamente esquecidos pelo poder público, que não se manifesta com a mesma presteza que concede aumento para engordar as já ricas contas dos intocáveis senhores do transporte público ludovicense. Entendendo que esse aumento significa uma afronta aos direitos dos usuários e lutando por um transporte público de qualidade e gratuito para trabalhadores e estudantes, tendo seu direito de ir vir assegurado, a ANEL se coloca contra o aumento e deixa claro: AUMENTOS NÃO PASSARÃO. #AILHAVAIPARAR 

Todxs às ruas contra o aumento da tarifa!!!

domingo, 1 de junho de 2014

GREVE DOS PROFESSORES MUNICIPAIS CRESCE E O PREFEITO DESAPARECE


Seguindo a tendência nacional de greves e mobilizações São Luis, mesmo não fazendo parte do roteiro oficial dos jogos da Copa Mundial, se notabiliza pelo número crescente de mobilizações populares e greves de várias categorias, como comerciários, guardas municipais, policiais militares, garis, rodoviários e professores.
Neste momento, os rodoviários da capital maranhense se enfrentam com o sindicato dos empresários (SET), que alegam não poder atender as reivindicações da categoria, com o judiciário, que já multou o Sindicato em mais de cem mil reais, além da mídia de massa que de maneira cínica tentam colocar sobre os ombros dos rodoviários a responsabilidade pelo caos em que se encontra o sistema de transporte coletivo da cidade, numa tentativa rasteira de jogar a opinião pública contra os trabalhadores e isentar os verdadeiros culpados pelos transtornos que a população ludovicense enfrenta que são: os empresários e o prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PTC/PCdoB).
Todo apoio a luta dos trabalhadores do transporte coletivo municipal!
Outra greve que merece destaque é a dos (as) professores (as) municipais, que completa duas semanas nesta segunda feira (2). Os educadores decidiram paralisar suas atividades por tempo indeterminado depois de terem esgotados todos os canais de negociação com o ente público. Segundo a categoria as escolas municipais não oferecem nenhuma condição de funcionamento acarretando prejuízos aos alunos e professores que têm adoecido constantemente, fato esse que tem se agravado com as fortes chuvas, pois a prefeitura não fez os devidos reparos antes do início do período letivo.
Além, das condições de trabalho e das reformas imediatas de todas as escolas, os educadores exigem reajuste de 20%, a garantia de 1/3 de hora atividade como preconiza a Lei Nacional do Piso e ainda eleição direta para diretor de escola, pagamento das progressões horizontais e verticais, assim como a implantação de direitos estatutários, já anteriormente negociados com a Prefeitura/SEMED, e que até o presente momento não foram cumprido.
Segundo o Comando de Greve, a paralisação continua e tem se fortalecido a cada dia com a adesão cada vez maior da categoria, que segue com o apoio irrestrito de da sociedade que mesmo com todos os “transtornos” causados pelas passeatas, segue apoiando as atividades com buzinaços e se mantendo bastante solidária às manifestações dos docentes.
Mesmo com a greve dos rodoviários, o que a priori inviabilizaria a participação dos docentes nos atos, pois a maioria depende do transporte publico para se locomover, a realidade tem mostrado o contrário, a categoria tem lotado as praças e avenidas da capital nos diversos atos realizados. Para superar a falta de transporte, os professores tem adotado a estratégia da carona solidária, que além de contribuir com grande número de presentes nos atos, tem fortalecido a união da categoria e a relação de solidariedade entre os trabalhadores, mostrando de forma inequívoca a todos(as) que a única forma de derrotar a política de desmonte dos serviços públicos essenciais é com a mobilização permanente da classe trabalhadora e com o enfrentamento com os governos e patrões.

sábado, 31 de maio de 2014

Transporte Público, Mobilidade urbana e a greve dos rodoviários em São Luís

Por Micael Carvalho, da Executiva Nacional da Anel

A cidade de São Luís é hoje, uma capital marcada por congestionamentos, ruas esburacadas e nenhum planejamento de mobilidade urbana para a população. Diariamente, os usuários do transporte coletivo perdem horas e horas do seu dia no trajeto casa de casa-trabalho-escola/faculdade-casa, ou simplesmente para uma locomoção para acessar a outros direitos como saúde, esporte, lazer.
O que acontece hoje no transporte coletivo, é reflexo da política de privatização do transporte público, que deveria ser gratuito e de qualidade. Infelizmente, esse anseio passa longe de ser atendido pelos governantes. A entrega desse serviço tão essencial para a população se reverteu no que acontece hoje nas grandes cidades do Brasil: monopólios de empresas, sucateamento dos veículos (ônibus mal conservados e com grande tempo de uso), parcerias com as prefeituras transferindo o dinheiro público para iniciativa privada, contas e planilhas escondidas e abafada que acontece nesse setor.

Greve dos rodoviários e o papel da juventude
Não é de hoje que vemos a mobilização dos trabalhadores do transporte público em São Luís. Ano passado, a categoria realizou inúmeras paralisações reivindicando segurança, tendo em vista o alto número de assaltos nos coletivos da cidade.
Desde o dia 22/05 (última quinta feira), a categoria resolveu cruzar os braços e frear os ataques que recebem direta e indiretamente tanto dos empresários quanto da prefeitura.  A priori, a paralisação foi apenas de uma parte da frota, ao sair a liminar da “Justiça do Trabalho”, que obrigava circular 70% de sua frota. Se houvesse descumprimento, o sindicato pagaria R$ 4 mil
reais por hora. Quinta, sexta, sábado, domingo e segunda a frota funcionou reduzida. Mas pelo andar das negociações, a categoria resolveu paralisar a partir da terça-feira (27/05) 100% a circulação de ônibus na cidade.
Os rodoviários recebem um salário precário para cumprir um serviço tão importante para a garantia de um direito fundamental a todos: o direito à cidade. Além da defasagem do salário, os trabalhadores são obrigados a arcar com os prejuízos da frota, caso seja alvo de assaltos ou batidas. Um absurdo para quem já recebe pouco, não tem segurança mínima no serviço e ainda tira do bolso se, por exemplo, um pneu furar ou ficar careca.
Inicialmente, os rodoviários reivindicavam 16% de aumento salarial. Na audiência de conciliação dessa quarta-feira (28), os representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Maranhão (Sttrema) apresentaram uma nova proposta, reduzindo o percentual de reajuste para 11%. Os trabalhadores também aceitaram abrir mão da exigência de redução da jornada de trabalho de sete horas e 20 minutos para seis horas diárias, mas mantiveram outros itens da pauta, como 40% de reajuste do tíquete-alimentação, inclusão de mais um dependente no plano de saúde, implantação do plano odontológico e seguro de vida.
Mas essas situações não ouvimos na rádio e nem assistimos na TV. A imprensa burguesa cumpre um funesto papel de criminalizar a luta, colocar o povo contra a greve e apenas mostrar as “consequências” ao invés das causas da paralisação.
É preciso nos solidarizar incondicionalmente com a luta da categoria. Não fazer coro com a mídia e com posicionamentos retrógrados de que a greve “prejudica” a população. O que devemos analisar e refletir é que, nós usuários do transporte público junto com os motoristas, cobradores e ficais (que também convivem com a situação) é que somos prejudicados cotidianamente pela falta de um transporte público decente, e mobilidade urbana na cidade.
Devemos além de apoiar as reivindicações salariais e de condições de trabalho da categoria, estar preparados para as próximas lutas em defesa de um transporte público de qualidade. E se a ganância dos empresários quiser aumentar a tarifa ou retirar a domingueira, precisaremos tomar as ruas e mostrar nossa força.
Se a passagem aumentar, a ilha vai parar!
Desde o inicio da greve, o Sindicato dos Empresários do Transporte (SET) tenta a qualquer custo convencer que não há acordo com os rodoviários devido ao prejuízo que a empresa tem. Afirmam constantemente que não lucram com o serviço, possuem déficit nas contas, e por isso necessitariam aumentar o valor da tarifa para assim, prestar um melhor serviço aos usuários.
Porém, o que vemos é o mesmo discurso de sempre. Aumentam a tarifa e o serviço fica ainda mais precário. Ainda assim, não tem sequer uma transparência de suas planilhas e sem nenhuma predisposição para uma submissão de uma auditoria interna nas suas contas.
Ano passado foi aprovado a Medida Provisória 627/2013, que reduz a zero o PIS/PASEP e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (impostos que as empresas tinham que pagar às prefeituras). Na prática, como as empresas não pagariam mais essas “contribuições”, deveriam então reduzir o valo da tarifa. No entanto, a tarifa continuou R$ 2,10 e com um adicional: a prefeitura repassando cerca de R$ 2 milhões para as empresas. Uma demonstração explícita da relação que existe de dependência entre a prefeitura e as empresas.
Portanto, que os empresários e governantes fiquem atentos, se aumentar a passagem vão ter que lhe dar com muitas manifestações, porque se depender da juventude e dos trabalhadores organizados, nenhum aumento passará, nem que para isso precisemos parar a ilha.
Queremos mais: Passe Livre já, Brasil!
Desde as grandes manifestações que tomaram as ruas em junho do ano passado, a juventude saiu às ruas na defesa de um transporte público de qualidade.
Nas ruas, foi retomada novamente uma pauta histórica do movimento estudantil: o Passe Livre. Queremos a gratuidades no transporte coletivo para estudantes e desempregados. O passe livre ao contrário do que muitos pensam, já é realidade em algumas cidades do país, embora com muitas limitações. Precisamos retomar uma das bandeiras que levou a inúmeros jovens a ocupar várias Câmaras municipais em agosto do ano passado.
O Passe Livre que defendemos é um primeiro passo rumo à tarifa zero e estatização do transporte público, controlado pelos trabalhadores. Mais do que nunca, agora é a hora de unificar as lutas da categoria com a luta dos jovens por uma vida sem catracas!