quinta-feira, 15 de maio de 2014

Por que apoiar a Greve dos professores e técnicos administrativos do IFMA?


Inaiara Brito, da Executiva Estadual da ANEL - MA e estudante do IFMA

Desde junho de 2013, respiramos novos ares, aquele sentimento de comodidade até então presente em nossas vidas ficou para trás. A juventude foi ás ruas não só para derrubar o aumento da passagem, mas reivindicar por melhorias concretas de vida. Perto de completar um ano das Jornadas de Junho (passou rápido!), diversas categorias já entraram em greve e se mobilizaram.
O dia 21 de abril se consolidou como uma importante data no cenário de lutas dos brasileiros. O dia em que o SINASEFE (Sindicato nacional dos Servidores federais) iniciou a 15ª greve de sua história, aprovada durante o 28º CONSINASEFE, em 29 de março.
O movimento paredista faz parte das Jornadas de Luta da Campanha Salarial 2014.  A greve está próxima há completar um mês, e conta com mais de 150 unidades de ensino paralisadas e muitas outras com a greve já aprovada pela base, numa luta que já aglutina 19 estados e 32 Seções Sindicais.
Além do SINASEFE, a base da Fasubra (Federação dos Trabalhadores das Universidades Federais) encontra-se em greve desde 17 de março; os rodoviários do Rio estão paralisados mesmo sofrendo pressão do sindicato pelego; servidores das redes estadual e municipal de ensino do Rio entraram em greve no início da semana; os policiais militares e bombeiros de Pernambuco aprovaram greve por tempo indeterminado.

A deflagração da greve no IFMA
O Instituto Federal do Maranhão, conta atualmente com 18 campi, sendo que 3 estão na capital São Luís, e os outros 15 no interior do estado e futuramente serão inaugurados mais 8 campi. Esse quadro reflete aquilo que se alastrou por todo o país durante o Governo Lula, com o Programa de Expansão e Reestruturação das Universidades e Institutos Federais (REUNI). O REUNI que foi propagandeado como a forma de se levar o ensino a todos os cantos do país se revelou como um programa fracassado, uma vez que expandiu unidades de ensino sem nenhum tipo de planejamento, garantindo o acesso, mas não a permanência dos estudantes em sala de aula.
No Maranhão, esse quadro é aterrorizante, os campi do IFMA, principalmente do interior, funcionam sem nenhuma estrutura, faltam laboratórios, bibliotecas, salas de aula climatizadas, professores e um longo etecetera... Há campus que funciona em prédios alugados, o acesso ao local de ensino também é um empecilho aos estudantes e servidores, devido à falta de transporte público de qualidade.
Neste sentido, os servidores do IFMA se juntaram aos companheiros de outros estados na construção da Greve. O pontapé inicial foi dado pelo SINASEFE Seção Campus Maracanã, que convocou Assembleia Geral no dia 10 de abril com sua base, e o resultado foi a deflagração da greve para o dia 21 de abril. Daí em diante, a greve vem se construindo no estado, sete campi já deflagraram greve, são eles: Maracanã, Alcântara, São Raimundo das Mangabeiras, Monte Castelo, Bacabal, Codó, e Caxias e outros estão com Assembleias marcadas.

O que eles estão reivindicando?
O SINASEFE construiu uma importante pauta de reivindicações, entre os eixos específicos da categoria constam a reestruturação das carreiras dos técnico-administrativos (PCCTAE) e docentes (Magistério do EBTT); a democratização das IFE; a luta contra a precarização das nossas condições de trabalho; a readequação de carga horária; e a contrariedade ao ponto eletrônico e ponto docente.
Nos eixos gerais estão os pontos da política salarial (data-base para maio); isonomia dos benefícios com servidores de outros poderes e do TCU; e antecipação da parcela do aumento previsto para 2015 já neste ano); anulação da reforma previdenciária de 2003 e da Funpresp; contrariedade ao PL 4330/2004 (das terceirizações); a realização de uma auditoria da dívida pública brasileira; retomada dos anuênios e 10% do PIB para a educação pública (confira aqui mais detalhes sobre a pauta).

Que contradição, tem dinheiro para a Copa mais não tem para Educação
Dentre as pautas de reivindicações encontra-se a destinação de 10% do PIB para a Educação Pública. Sabemos que a educação em nosso país é péssima. Ocupamos a vergonhosa 8ª posição no ranking de países com mais índices de analfabetos. Sendo que ¼ dos brasileiros são analfabetos funcionais.
O PIB (produto interno bruto) representa a soma, em valores monetários, de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região, durante um período determinado. Atualmente o governo destina apenas, cerca de R$ 233,4 bilhões, o que representa 5,3% do PIB para a Educação (pública e privada), diante da realidade educacional brasileira, esse valor é irrisório.
Por isso é preciso que se invista de imediato em 10% do PIB para garantir uma educação pública, gratuita e de qualidade para nossos jovens. Porém o governo Dilma, prefere investir em megaeventos como é o caso da Copa do Mundo, que este ano será realizada no Brasil.
Do início das obras da Copa até agora, cerca de 85% dos gastos saíram dos cofres públicos. A Copa do Mundo 2014 mesmo antes da bola rolar, já entra para a história como sendo a Copa mais cara de todas, com um valor que já supera os 30 bilhões de reais. Enquanto isso, a Educação é jogada para escanteio!
Motivos é que não faltam para que os Servidores Públicos Federais façam greve, devido a isso a ANEL faz um chamado a estudantada do IFMA, para acompanhar as atividades grevistas. É fundamental que os estudantes estejam engajados neste processo incluindo suas pautas de reivindicações e organizando a luta.
O governo pode até utilizar a mídia para nos dividir e desmobilizar, a polícia para reprimir e indiciar militantes que vai ás ruas para lutar por seus direitos, mas seguiremos nas ruas, ombro a ombro com os trabalhadores e a juventude, mesmo durante a Copa.

E juntos, gritaremos em alto e bom som: Dilma escuta, na Copa vai ter luta!




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