sábado, 9 de maio de 2015

Insegurança na UFMA: restrição e criminalização não é a solução


               Nas últimas semanas estamos acompanhando um aumento significativo da violência em São Luís. A falta de políticas públicas, principalmente para a juventude, faz com que esses índices cresçam absurdamente, uma vez que a ocupação do tempo da maioria desses jovens não são preenchidos estando em escolas, universidades, projetos sociais, formação profissional e empregabilidade. Os assaltos intensos no transporte coletivo e os assassinatos ocorridos cotidianamente, mostram com mais evidência que a cidade de São Luís continua sendo uma das mais violentas do mundo.   



              Esse problema também tem se refletido dentro da Universidade, tendo em vista que a instituição não é isolada do todo. Os muitos assaltos dentro da UFMA nas semanas anteriores mostram que a segurança da universidade é insuficiente e ineficaz, mesmo com todas as 172 câmeras de monitoramento e mais 68 seguranças que atuam no campus do Bacanga ("segundo" os dados do site da instituição). O modelo de segurança adotado pela Universidade, segue sendo o de proteção ao patrimônio físico/estrutural da universidade em detrimento da proteção da comunidade acadêmica e das comunidades adjacentes 

            Como resposta à essa situação, na última segunda-feira (04/05), ocorreu uma reunião convocada pela reitoria da UFMA, e como encaminhamento, deliberaram por uma intervenção da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Maranhão. Ou seja, tudo indica que a Polícia poderá atuar dentro do Campus. Sabemos, no entanto, que a polícia nos moldes como é estruturada não resolve o problema da violência e muito menos significa segurança para a população. Pelo contrário, atua criminalizando os movimentos sociais e de forma repressiva à periferia, agredindo e matando negros e negras pobres.  

         Do mesmo modo, @s estudantes foram surpreendidos na segunda-feira com a interrupção do wi-fi. Somente na terça-feira, a Universidade divulgou uma nota alegando que a rede passava por manutenção. Já na quinta, uma nova nota foi lançada informando que a rede sem fio passaria, a partir de sexta-feira, a ser utilizada através de login e senha do sistema. É importante destacar que não houve nenhuma consulta prévia à comunidade acadêmica sobre esta restrição e ainda assim a administração superior da UFMA de forma autoritária implementou tal medida. 


          "A Universidade da inclusão social" cada vez mais tem fechado suas portas para àqueles que deveriam ser priorizados por ela. A função social que a universidade deveria cumprir, vem sendo historicamente abandonada, basta nos questionarmos quantos projetos de ensino, pesquisa e extensão m sido oferecido nas comunidades ao redor, ou quantos programas sociais e espaços a universidade possui para envolver as pessoas destas comunidades. 

         É  preciso que a segurança da Universidade seja discutida com todas as pessoas que fazem parte dela. Somente assim, teremos um espaço de fato democrático e seguro. Do mesmo modo, é necessário que se garanta um novo modelo de segurança pública, desmilitarizando a polícia e colocando-a sobre o controle dos trabalhadores/as; exigir politicas públicas para toda a população, como o acesso à educação pública, gratuita e de qualidade; formação profissional que garanta emprego e renda; fomentação de cultura, esporte, lazer e etc. para que a juventude possa ter direito ao futuro. 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

4º ato contra o aumento da tarifa em São Luis: continuar nas ruas até a revogação total!

Pela quarta vez em duas semanas a juventude foi ás ruas da capital São Luís, para denunciar o absurdo aumento nas passagens de ônibus. Tanto o aumento das passagens, as péssimas condições do transporte público, com ônibus cada vez mais lotados, quanto os baixos salários de motoristas e cobradores são reflexos da privatização desse setor em todo o país.



O ato desta terça-feira, assim como os anteriores, contou com a presença de jovens e trabalhadores, em sua grande maioria, estudantes secundaristas e universitários de várias escolas e universidades.
A realização dos atos foi impulsionada a partir da criação de uma frente de luta contra o aumento. Esta frente de luta conta com a participação de movimentos estudantis e sociais e com independentes. E a ANEL está, desde o início na construção desta frente, porque entendemos que é necessário que nos organizemos de forma cada vez mais massiva para derrubar esse aumento.

Como se trata de uma frente de luta é normal que os movimentos que a constituem tenham princípios e políticas de atuação diferentes. Nos, da ANEL estamos abertos a construir frentes de luta com outros movimentos, porém, não podemos omitir para os estudantes a verdade sobre o papel que alguns desses movimentos cumprem atualmente dentro do movimento estudantil.

No ato de hoje, quando foi dado o microfone para realização de uma fala a uma de nossas companheiras, muitos integrantes de outros movimentos como UNE, UBES e UJS tentaram de todas as formas impedir a conclusão da fala. E isso porque a fala fazia uma abordagem a respeito da conivência entre os governos estadual e federal com as empresas de transporte que culmina na precarização do serviço e no aumento da passagem, além de fazer a denúncia direta da parceria entre UNE, UBES e governo.

Nem precisa ter boa memória para lembrar que, a cerca de dois anos a meia-entrada - que é o direito que estudantes tinham de pagar só metade de ingressos para cinemas, shows e teatros - foi restrita, se antes pagávamos metade, hoje pagamos 60% do valor dos ingressos. Essa restrição não surgiu do nada, ela foi fruto de negociações entre o governo e a União Nacional de Estudantes. Ao invés de estar com os estudantes nas ruas para impedir a restrição da meia entrada, a UNE estava no gabinete do governo tomando cafezinho e zombando dos milhares de estudantes filhos de trabalhadores que terão dificultado o acesso a espaços que só são frequentados pelos filhos dos ricos.

Marchamos hoje com a UNE pela redução da passagem, mas não podemos esquecer as traições que esta entidade vem cometendo ao longo dos anos com os estudantes. Como pode em um momento está na rua dizendo lutar pelos direitos estudantis e em outro momento estar em gabinetes do governo e de reitorias, articulando ataque aos direitos dos próprios estudantes? Faz sentido isso? A UNE que se decida, ou continua frequentando gabinetes ou rompe de vez com o governo e venha construir de fato as lutas dos estudantes.

No momento em que a companheira da ANEL estava fazendo a fala, aos berros e gritos de forma totalmente descontrolada integrantes da UNE  e UBES foram literalmente em cima para impedir a fala, inclusive desligando o microfone. Atitudes como esta, vindo de UNE e UBES não surpreendem, mas não podemos deixar de denunciar a atitude antidemocrática, covarde e pior que isso, machista com a qual procederam em relação à companheira. Lutamos em todos os espaços contra atitudes machistas, principalmente os casos que ocorrem dentro do movimento estudantil, esta é uma de nossas principais bandeiras.

Fora esta atitude machista, o que mais surpreendeu foi a reação dos estudantes a essa atitude. Os estudantes, presenciando a situação se colocaram contra a atitude desses movimentos saindo em defesa da companheira. Com frases como “Deixa ela falar!” e “Cadê a liberdade de expressão?” os estudantes deram um exemplo de uma real manifestação democrática.

Seguimos na luta contra o aumento, até agora foram revogados 20 centavos do valor da passagem, mas queremos mais, queremos passe livre estudantil, queremos um transporte gratuito e de qualidade, com investimento público e a destinação de 2% do PIB para a estatização do transporte.
Esse é só o início do despertar da juventude! E esse movimento já é vitorioso, pois ele mostra o potencial que a juventude tem de lutar por seus direitos, de abandonar os movimentos traidores e construir novos sonhos. Hoje mais que nunca, afirmamos: amanhã vai ser maior!




quarta-feira, 1 de abril de 2015

LUTAR NÃO É CRIME! Pela Revogação do aumento da tarifa em São Luis




No último domingo, dia 29 de março de 2015, a passagem de ônibus em São Luis foi reajustada em 16%, no valor de R$ 2,40 para R$ 2,80, um valor de 40 centavos a mais por cada passagem. Nos últimos dias, as ruas da capital maranhense estão tomadas por manifestações que denunciam esse aumento abusivo. O recado está sendo dado por diversos estudantes secundaristas, universitários, trabalhadores e trabalhadoras que dependem diariamente do transporte coletivo para se locomover, ter acesso à cidade, acesso à educação, ao esporte/lazer, à cultura e demais direitos garantidos através de muita luta. 

Nenhum centavo a mais: a juventude e os(as) trabalhadores(as) não enriquecerá os empresários do transporte



No começo do ano passado, 2014,a tarifa já tinha sido reajustada de 2,10 para 2,40, e em acordo foi definido mais frotas para o transporte público, melhorias nos terminais, melhorias nos ônibus. Porém, o que vimos nos últimos anos foi o aumento da precarização desse serviço tão essencial para a população.
Os empresário do transporte coletivo de São Luis, organizados pelo SET (Sindicato das Empresas de Transporte) não estão interessados na melhoria do transporte público, pelo contrário, a única preocupação é apenas seus lucros exorbitantes em detrimento do sofrimento diário de milhares de usuário que necessitam desse direito (ao transporte público).
A prefeitura por sua vez, na figura de Edivaldo Holanda Junior (PTC) permanece a relação intrínseca com esses tubarões do transporte público, garantindo o repasse de verbas públicas mensalmente para os sustentar. Exigimos a abertura imediata das contas do SET e uma auditoria para garantir a transparência para a população, mas para além disso, é preciso o transporte público ser administrado por uma empresa municipal controlada pela população.

Repressão e criminalização dos movimentos sociais


Na última terça, dia 31/03, no final do 2º grande ato contra o aumento da tarifa, ocorreu uma forte repressão ao movimento contra o aumento da tarifa em São Luis, foram vários tiros, bombas e duas prisões pelo simples fato de lutar. O atual governador do estado do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), até agora permanece no silêncio, portanto, conivente com essa situação. Queremos mais uma vez reafirmar que é necessário a desmilitarização da PM, fim da criminalização dos movimentos sociais e a garantia do livre direito de se manifestar. O recado está sendo dado nas ruas: não sairemos delas enquanto o aumento não for revogado. 


ASSEMBLEIA NACIONAL DE ESTUDANTES - LIVRE (ANEL)
CSP- CONLUTAS
MOVIMENTO QUILOMBO RAÇA E CLASSE
MOVIMENTO QUILOMBO URBANO
MOVIMENTO MULHERES EM LUTA
MOVIMENTO LUTA POPULAR

sábado, 28 de março de 2015

R$ 2,80 EU NÃO ACEITO! Contra o Aumento da Passagem em São Luís!

  


           Na última sexta-feira (27/03), a juventude e os trabalhadores de São Luís foram surpreendidos com o anúncio de um aumento estipulado em 16% na passagem dos ônibus. É sempre o mesmo discurso, a prefeitura anuncia o aumento e promete melhorias na "qualidade" dos transportes, todavia, o serviço prestado continua análogo. Não podemos esquecer que há 9 meses a Edivaldo Holanda empurrou para a população um aumento de 30 centavos na passagem, com a promessa de que a frota seria renovada com 250 novos ônibus. Na prática, o que se observou foi apenas a chegada de coletivos sucateados (inclusive os biarticulados) e aproveitados de outras cidades como Curitiba, mudando apenas a pintura. Além disso, foi suspensa a “domingueira”, onde aos domingos, a tarifa ficava mais barata. Tais ações constatam a velha forma de administração da prefeitura, eleita com a promessa de trazer a “nova política”. O mesmo de sempre.
              
            O aumento da tarifa foi só mais um dos ataques aos direitos da classe trabalhadora, cultivados e promovidos pelo governo de Dilma/PT. A taxa de juros subiu, a gasolina e a energia sofreram um reajuste absurdo, o Governo Federal apresentou um pacote com restrições aos direitos previdenciários com cortes bilionários nas áreas sociais. Só na educação foram R$ 7 bi, o que aprofundou ainda mais o processo de precarização das universidades e escolas. As demissões na indústria, em especial no setor automotivo, são o pesadelo de milhares de famílias.


          O transporte coletivo enquanto serviço público é um direito fundamental para o conjunto da população. É através deste serviço que a juventude e os trabalhadores garantem seu acesso ao trabalho, escola, universidade, lazer e etc... . A “qualidade” do transporte é inversamente proporcional ao alto valor que pagamos pela passagem. Está cada dia mais difícil enfrentar esta realidade. Ônibus superlotados, velhos e quebrados, horas e horas à espera do transporte e passagem absurda são alguns elementos que tornam o direito de ir e vir cada vez mais inacessível.
            
            Fora os problemas técnicos, há também uma grande contradição: se é um serviço PÚBLICO, os cidadãos, que pagam altos impostos em tudo o que compram, deveriam ter acesso integral e gratuito. A questão é que o transporte é feito de forma terceirizada, e as empresas não se importam com o poder aquisitivo da maioria dos usuários, cobrando altas taxas para o Governo, que por sua vez, passa a "responsabilidade" para a população. O desinteresse das empresas de transporte não se dá apenas aos "clientes", mas também, a seus trabalhadores. A categoria dos metroviários constantemente entra em greve por melhores salários e condições de trabalho. Segundo o Sindicado dos Metroviários de Brasília, as perdas dos patrões com a catraca livre já somam R$30 mil.

             Infelizmente, os governos e prefeituras vendem nossos direitos para a iniciativa privada. O transporte "público" tem se tornado mais uma mercadoria na mão dos grandes empresários, em detrimento do trabalhador. A juventude e o proletariado precisam, mais do que nunca, unir-se nas ruas contra esta conjuntura nefasta e depreciativa. Faz-se necessário, de imediato, a estatização do serviço, a não-demissão dos trabalhadores, a troca das frotas em prol da qualidade, a redução imediata das tarifas, a implantação do passe livre para a juventude, idosos e trabalhadores desempregados e o reprojetamento do espaço rodoviário urbano. Assim, garante-se o bem-estar da população e a efetivação de mais um dos tantos deveres do Estado.
              
              Neste sentido, nós exigimos da prefeitura de São Luís a revogação imediata deste aumento. A juventude e os trabalhadores não podem pagar pela crise! A ANEL permanecerá na trincheira lado a lado com a classe trabalhadora, movimentos sociais organizados, sociedade civil e entidades sindicais na luta contra o aumento e em defesa do transporte publico estatal e de qualidade. Tomemos como exemplo Teresina, Natal, Porto Alegre e outras cidades onde a juventude organizada a partir das mobilizações de rua chegou até a vitória conseguindo barrar o aumento.


Reflorescemos Junho de 2013 e a certeza de que é possível mudar.

 Vamos juntos construir uma grande frente contra o aumento!!!!


sábado, 21 de março de 2015

26M: Sacudir a UFMA em defesa da Educação Pública!




   Próxima quinta-feira, 26 de março, está sendo convocado o 26M – Dia Nacional de Luta em defesa da educação. Um dia nacional para dizermos NÃO aos cortes na área da Educação e exigir mais verbas para as Universidades e Escolas de todo o Brasil.
   O ano de 2015 iniciou com o corte de cerca de 7 milhões na educação, e cerca de 30% dos orçamentos das universidades foram cortados devido à essa crise em que as instituições de ensino  se encontram. As universidades federais por todo o país já vinham imersas em uma grande crise envolvendo todos os setores da educação superior pública, que vão desde problemas estruturais/físicos, passando pelo problema da falta de professores, bem como das condições de trabalho docente, afetando mais ainda os estudantes, que sofrem por tudo isso pela falta de assistência estudantil.
  A UFMA não está nem um pouco fora dessa situação, basta lançar olhar sobre nossa realidade, nossas estruturas e nossos campi que poderemos perceber isso:
  Inúmeros cursos sofrendo pela falta de professores, de laboratórios e salas de aula, ou mesmo aquelas que com a chuva, tornam-se alagadas, obrigando os alunos e professores ficarem sem aula.
  O Restaurante Universitário é um problema histórico na UFMA. No campus de São Luis a fila gigantesca incomoda e tira a paciência de muitos estudantes que necessitam se alimentar na Universidade, chegando muitas vezes atrasados para a aula, estágio, atividades das Bolsas. Se em São Luis o problema já é grande, imagina nos campi do continente em que sequer existe um R.U. para atender a comunidade acadêmica. No início de 2013, foi lançada uma nota pelo site institucional, sobre a reforma e ampliação do R.U.* “(...)o RU passará por uma nova reforma, já que desta vez, o refeitório será ampliado e será criada uma terceira linha de distribuição, além da climatização de todo o restaurante”. O que vimos infelizmente são promessas e mais promessas, e os estudantes continuam amargando a mercê das políticas de Assistência Estudantil na UFMA.  
  O prédio de Biologia e o Centro de Artes também são problemas que geram revolta e indignação. As obras infinitas na UFMA são cada vez mais visíveis, e o tempo de entrega, multiplicado inúmeras vezes, gerando assim, mais destinação de verbas e gastos de recursos públicos. O prédio de Biologia já está em obras a 5 anos, e até hoje não foi entregue; já o Centro de Artes iniciou duas obras este ano com a delimitação do espaço de construção do prédio.
    Ser estudante, professor(a) ou técnico(a) administrativo com necessidades especiais tornou-se um pesadelo dentro da UFMA, falta um número maior de funcionários tradutor Braille, intérprete de libras e materiais dentro do prazo estabelecido para acompanhar o processo educacional dos alunos. Muitos lugares ainda carecem de uma rampa para os cadeirantes, de piso tátil em alto relevo para os cegos, de escadas com contraste de cores para os que têm baixa visão. A universidade que cresce com inclusão social ainda precisa ser inclusiva.    
      Se transportar para chegar à UFMA é praticamente uma jornada. A parada 3E do terminal de Integração da Praia Grande sempre é lotada e às vezes o(a) estudante precisa pegar o próximo 311 porque não coube dentro da lata de sardinha que se transformou essa linha, sem contar o grande tempo de espera. Nas últimas férias o 305 (linha campus-centro) foi retirada sem nenhum motivo, e os(as) estudantes que dependem dessa linha são obrigados à fazerem um percurso ainda maior para chegar no local desejado. O aumento da passagem veio, mas o aumento da qualidade ficou apenas nos discursos da Prefeitura e do Secretário de Trânsito e Transporte. Pode parecer para muitos que o transporte público não tem muito a ver com as outras discussões, porém sem mobilidade urbana é impossível os estudantes terem acesso à Universidade, e consequentemente terem acesso à educação.            Portanto pra nós, é mais do que claro que devemos nos somar ao movimento estudantil nacional e construir o dia 26 de março como dia nacional de lutas em defesa da educação pública na UFMA. Reiteramos o chamado aos Centros Acadêmicos, Coletivos, Casas de Estudante para construir coletivamente um grande dia de mobilização para denunciar todos esses ataques e exigir que nenhum direito seja retirado.

           -Queremos a ampliação do Restaurante Universitário e a construção nos demais campi;
-Mais concursos para professores efetivos;
-Nenhum corte nas bolsas permanência, de pesquisa e de alimentação;
-Entrega dos Prédios que já passaram do prazo, como o Centro de Artes, de Biologia, dos Campi do Continente;
-Acessibilidade em todos os espaços da UFMA;
-Chega de sufoco! Ampliação da frotas 311 e a volta do 305

TODXS AO 26M na UFMA! Reunião de organização, próxima segunda às 13h na pracinha próximo ao estacionamento do Castelão (entre o prédio da reitoria e o CCSO). Participe!

*http://portais.ufma.br/PortalUfma/paginas/noticias/noticia.jsf?id=41160




            






domingo, 2 de novembro de 2014

Atividade no Quilombo do Charco "Quatro anos da morte de Flaviano"

Por Inaiara Brito, da Executiva Estadual da ANEL


“Quilombo, Quilombo
  Não vive cansado
 É melhor morrer na luta
 Do que ser escravizado"




Neste dia 30 de outubro a ANEL (Assembleia Nacional de Estudantes – Livre) juntamente com entidades do Movimento Negro e Popular, como o Quilombo Urbano e Quilombo Raça e Classe, filiados a Central Sindical e Popular - CSP Conlutas participaram do ato organizado pelo MOQUIBOM (Movimento Quilombola do Maranhão) em memória aos quatro anos de assassinato do Quilombola Flaviano.
Flaviano, pai de família, lavrador pobre e negro do Quilombo do Charco que fica localizado próximo ao município de São João Batista, há 280 quilômetros da capital São Luís/Ma, foi covardemente assassinado a mando de dois fazendeiros da região, Manuel Gentil e Flávio Gomes. Quatro anos após sua morte mesmo com a justiça sabendo o nome dos assassinos, nada foi feito para puni-los.
O estado do Maranhão lidera o ranking de conflitos agrários no Brasil, com 251 casos de conflitos de terra envolvendo 64.394 pessoas, sendo que nos últimos 27 anos foram assassinados 132 camponeses, com nenhum mandante condenado.
Tantos conflitos no campo são resultado de anos de exploração de latifundiários. Estes detentores da terra, meios de produção e capital tem patrocinado o avanço do agronegócio e arrasado o direito a terra e a vida dos povos tradicionais que historicamente vivem nas terras maranhenses. Esses povos lutam todos os dias para ter o direito á terra e políticas públicas eficientes, contra todos os desmandos dos coronéis do agronegócio que a qualquer custo querem expulsar camponeses, quilombolas, indígenas, ribeirinhos, quebradeiras de cocos das terras que são suas por direito.

 O INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) realiza um trabalho insignificante, sem nenhum comprometimento nem responsabilidade nas titulações de terras quilombolas. Em 2012, o governo federal desapropriou apenas 12.800 hectares de terras no Maranhão para fins de Reforma Agrária, o que representa uma redução de quase 75% em relação ao ano anterior; titulou apenas um território quilombola e homologou somente sete terras indígenas em todo o Brasil.
O compromisso do governo tem sido com o agronegócio e com os latifundiários enquanto as lideranças das comunidades quilombolas são assassinadas e comunidades inteiras veem seu modo de vida e cultura soterradas pelo agronegócio. Os mandantes desses assassinatos ficam na maioria das vezes impunes.
O ato realizado neste dia 30 de outubro, em frente ao Fórum de São João Batista-MA, foi uma forma de denunciar todas essas atrocidades mostrando o quanto a justiça é falha e não está a serviço dos trabalhadores, mas sim dos senhores do agronegócio. O ato também foi uma forma de mostrar que não calarão e nem abafarão a luta quilombola. O companheiro Flaviano é um exemplo de luta pelo direito dos quilombolas. Sua morte não será em vão. Os quilombolas continuam na luta e ela só aumenta...

A ANEL apoia a luta dos quilombolas e por isso nos colocamos ombro a ombro com os companheiros do MOQUIBOM para denunciar as atrocidades promovidas por latifundiários contra o povo quilombola. Nossa luta é uma só!
Pela punição dos assassinos de Flaviano!
Pela titulação das terras quilombolas!
Território livre, já!

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

IFMA: O AUTORITARISMO QUE CASTRA A AUTONOMIA E REAVIVA O CONSERVADORISMO DEMAGÓGICO NA INSTITUIÇÃO QUE “FORMA OS MELHORES PROFISSIONAIS DO MARANHÃO”

Por Inaiara Brito, do CA de Ciências Agrárias e da Executiva Estadual da ANEL

Que as normas que regem o Instituto Federal do Maranhão, são herança do período em que seus campi ainda eram Escolas Agrotécnicas ou Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFET) não é algo que assuste. É de se compreender que o processo de transição dessas instituições para Institutos Federais seria algo que acorreria de forma lenta e gradual.
Esse processo teve início a partir da Lei Nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008, daí em diante esses antigos centros de ensino seriam denominados Campi do IFMA. Passados seis anos se vê que esses campi ainda encontram-se mergulhados em um imenso atraso político e educacional. Mesmo com algumas poucas mudanças estruturais, como ampliação e reforma dos campi, aumento do número de cursos (médio, subsequente, graduação e pós-graduação), e algumas modificações democráticas na gestão dos campi, ainda sim não passa despercebido o quanto esses campi deixam muito a desejar em se tratando do respeito aos direitos de seus estudantes.
O maior exemplo de ataque aos direitos dos estudantes é o Regimento Disciplinar Discente do Instituto. Um regimento que não acompanha o movimento de renovação que deveria acontecer no IFMA. O regimento já se mostra autoritário na forma como é construído, pois os estudantes e professores participam de forma parcial dessa construção, e não tem suas propostas acatadas pelo Conselho que aprova o novo Regimento.
O ano de 2013 foi um período de construção de um novo regimento, cada Campus deveria informar aos estudantes e professores que estes teriam de enviar suas propostas de modificação nas normas do regimento até determinado período. O IFMA Campus Maracanã, segundo informações repassadas pela Diretoria Geral, foi o campus que mais contribuiu com propostas. No curso de Ciências Agrárias, houveram alunos que se reuniram para discutir o Regimento antigo e elaborar suas propostas para o novo Regimento. Depois de sistematizadas as propostas as encaminhamos ao Dae (Departamento de Assistência ao educando) e este encaminhou o documento á Direção Geral que por fim, enviaria a reitoria.
Em nossas propostas fizemos observações principalmente no que diz respeito aos itens que tratam das vestimentas dos alunos e a liberdade de expressão. Por exemplo, nos posicionamos contra o fato de que os alunos do Curso Técnico devessem permanecer uniformizados durante todo o período que estivessem na escola, fomos também contra a proibição de namoro entre estudantes nos espaços da escola... Dentre uma série de observações.
Enquanto estudantes, fizemos nossa parte. Porém, nossas propostas mesmo sendo enviadas aos órgãos superiores que as sistematizariam junto com a de estudantes e professores vindos de outros campi, não foram acatadas por estes. Ou seja, um processo democrático de construção de propostas, em última instância se mostrou absolutamente ditatorial. E o resultado disso foi à aprovação de um novo Regimento ainda mais retrógrado que o anterior.
Dentre as normas mais retrógradas mais uma vez destacam-se as destinadas ao controle das vestimentas dos estudantes. Se antes os alunos do Curso Superior poderiam usar as roupas que bem entendessem, em qualquer espaço do Instituto, agora fica restrito o uso de bermudas, shorts, minissaias e miniblusas.
Neste ano de 2014, o Centro Acadêmico de Ciências Agrárias solicitou uma reunião com a Direção geral do Campus Maracanã para dentre outras coisas, tratar do novo Regimento. A Direção Geral nos disse que nada poderia fazer em relação ao Regimento e que tinha a obrigação de acatar as normas do Regimento, pois este foi aprovado por órgãos superiores. Neste segundo semestre pedimos uma reunião com o Departamento de Assistência ao Educando (DAE) para tratar das normas do Regimento que atacam os direitos dos estudantes, porém o departamento nos disse que nada poderia fazer...
Reconhecemos que tanto a Direção Geral como o Dae não podem fazer grande coisa em relação ao Regimento, mais poderiam pelo menos ser mais flexíveis na forma como aplicam essas normas dentro do Campus Maracanã. São vários os casos de alunos do Curso Técnico que são impedidos de almoçar no Refeitório do Campus porque “estão de chinelo e não de tênis”.
Recentemente dois estudantes do Curso de Ciências Agrárias foram barrados na porta do refeitório por um servidor. O motivo? Uma estudante estava de short e o outro de bermuda. Ambos foram impedidos de almoçar, mesmo depois de enfrentar uma fila quilométrica. Neste momento eu também estava na fila do refeitório e me aproximei para saber o que estava acontecendo, o servidor disse que os dois estudantes estavam “vestidos de forma indevida” e que almoçariam somente depois que todo mundo almoçasse, debatemos por mais uns instantes sobre a situação pedi ao servidor que deixasse os dois entrarem e que depois o CA conversaria com o DAE. Como vi que ele não acataria meu pedido, resolvemos entrar no refeitório para almoçar.
No dia seguinte a este fato, fui notificada de que o DAE entrou com um processo administrativo contra mim, por  “dirigir-se a seus pares, servidores públicos, terceiros contratados ou não e/ou visitantes de maneira desrespeitosa” onde como medida disciplinar levaria suspensão assistida por uma semana (isso mesmo, suspensão para um aluno de curso superior!) e teria cancelada minha participação em uma viagem para um congresso, que, diga-se de passagem, foi organizada pelo CA, onde participei ativamente da organização.
Esta situação foi abordada para exemplificar o quanto ainda estamos anos-luz de sermos uma Instituição democrática, o constrangimento pelo qual os dois estudantes passaram me impunha a obrigação de me posicionar diante da situação, enquanto estudante e membro de uma entidade representativa dos estudantes. O processo movido contra mim também se deu de forma totalmente autoritária uma vez que não me foi garantido o direito a defesa e ao contraditório. Diante disso, dizemos que o Chefe de Departamento do DAE, Prof. Filomeno Barros não tem condições pedagógicas de ocupar tal cargo, pois em suas ações mostra-se um perfeito demagogo-ditador da pior espécie tendo como conivente de suas ações a pseudo-pedagoga Rosilene Lima.
Este Regimento Disciplinar NÃO REPRESENTA OS ESTUDANTES, e ao invés de ser educativo mostra-se como um conjunto de normas punitivas e conservadoras impostas goela abaixo a nós pelo Conselho Superior.
Neste sentido, a ANEL faz um convite aos estudantes do IFMA, do médio ao superior sem distinções, pois em última instância todos somos estudantes. Convidamos a não abaixarem a cabeça diante de tais ataques, que não deixem que essas normas sejam superiores a sua vontade de ser e se expressar. Para aqueles que são contra este Regimento que mais parece da época da Ditadura, vamos nos organizar para derrubá-lo, mostrar que a juventude do IFMA tem voz e que lutará pelos seus direitos!
Afinal, porque os estudantes do IFMA não podem se manifestar? Por que os estudantes não são ouvidos? Será que esta realmente é a Instituição que “forma os melhores”? Mais que isso, melhores em que? Em se contrapor a esses valores autoritários e conservadores ou em se adequar as normas do mercado e da sociedade?